1.2.10

Um Amor

"Aproximei-me de ti, e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparente como o fundo do mar para os afogados.
Depois, na, rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação de que
me deixas-te como amada
recordação."
- a partilha dos Mitos, Nuno Júdice

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