4.3.10

Procuro um Filipe para a minha vida (...)
- candidata-te ! 

Por vezes ponho-me a pensar se já (alguma vez) tive algum, mas na minha memória nunca o encontro. Ponho-me então a imaginar que acho um, um verdadeiro Filipe, um que me faz amar, sentir amada, faz-me feliz, acompanhada, dá-me a mão, abraça-me, respeita-me, olha-me nos olhos, dá-me carinho, é sincero, faz-me (não só) gostar de mim, mas como dele também (se calhar faz-me gostar mais dele do que de mim). 
Não, não tem defeitos, mas ten vícios e imensos, uns saudáveis (outros não), vivemos no mundo das maravilhas, em que só existe sol, sim s-o-l e todo o ano, nunca faz chuva neste mundo.
Vamos imensas vezes à praia, rebolamos na areia, mergulhamos nas águas geladas do mar e ao fim do dia, com a mão dele sobre a minha, vemos juntos o por-do-sol, nunca o por-do-sol foi tão bonito, nunca mesmo (...) levanta-mo-nos, sacudimos a areia que temos colada a nós e caminhamos pela praia fora, até casa. 
A chegada a casa dá-se por terminada com imensas gargalhadas, senta-mo-nos na cadeira-baloiço da entrada e ficámos a olhar um para o outro.  
E dizia ele:
- quero voar contigo; quero ir ao céu, ao fim do mundo contigo; quero-te amar, como hoje amo; quero que me ames, como hoje amas; quero passar o amanhã ao pé de ti; e quando já formos velhinhos, quero que recordemos tudo o que hoje fazemos; quero me deitar ao teu lado na cama e aquecer os teus pés com os meus; quero adormecer a olhar para ti; quero poder rebolar na areia, mergulhar nas águas do mar e ver o por-do-sol do teu lado, que vai ser mais bonito que agora (como se fosse possível); e quando um dia deixares de respirar e fechares os olhos, eu também quero, porque não aguentarei esperar pelo dia em que chegue a hora de nos encontrarmos num sempre.

- tu, será que és o meu Filipe ?

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