11.1.11

I

Acordei repentinamente. Quando olho para o despertador, reparo que são 5h da tarde. "Perdi mais um dia de trabalho, que se lixe" (penso para mim).
Levanto-me, pego no telemóvel e vejo que tenho 6 chamadas, "ui, hoje é o meu dia de sorte. Mas, quem será?! Á dias que ninguém se lembra de mim!" (penso mais uma vez).
"É ele, é ele!", levanto-me da cama aos pulinhos a berrar para quem tem ouvidos e digo uma última vez "É ele!".
Desci as escadas a correr. Quase que tropeçava, mas mesmo assim ri-me desgraçadamente. Bem disse, que hoje era o meu dia de sorte.
Vou à cozinha, espreito para o microondas e fico felicíssima. A Ana, deixou-me o almoço pronto. Deixo a aquecer dois minutos, ligo o rádio e ponho-me a cantarolar. De repente ouço um Pi. "Finalmente a comida já está aquecida" (converso com os botões da roupa que não troco há quatro dias). Pouso o prato sobre a mesa, tiro os talheres da gaveta e como apressadamente. Já no fim, ponho tudo na banca,  volto a pegar no telemóvel, marco o número dele e ponho a chamar.
Deixei chamar vezes sem conta, mas ninguém atendeu. Comecei a enlouquecer.
Decidi ir tomar um banho. Este cabelo anda mesmo numa lástima e cheiro pior que o mendigo que dorme aqui na rua (como se fosse possível). Acabei com as bebidas cá de casa e já não fumo à três dias (acabei com o maço de tabaco na primeira noite em que ele me deixou e as bebidas, essas... foram desaparecendo aos poucos).
Preciso de ir à rua, mas a preguiça tem sido tanta e a vontade tão pouca. Subo as escadas e as pernas já me começam a cansar.
Ligo o chuveiro e deixo a água a aquecer enquanto faço a cama. Empurro as garrafas para o caixote do lixo e amasso o maço.
Já vejo fumo a sair pela porta, a água já está quente. Dispo a roupa e meto-me dentro da banheira. Ouço o meu telemóvel tocar e penso: "será que é ele?! quem me dera!". Saio a correr, molho o chão todo e salto para cima da cama para atender a chamada, carrego no botão para atender...
Eu: "Ah, Ana. És tu. Sim, diz."
Ana: "Hey, que felicidade por ouvires a minha voz."
Eu: "Não é isso. Estava à espera duma chamada de outra pessoa... Tu sabes..."
Ana: "Estavas? Então esquece essa ideia... Foi por isso mesmo que te liguei."
Eu: "Ah? Conta lá."
Ana: "Acabei de ver o Miguel..."
Eu: "Onde? Com quem? Ele estava fora do país e só voltava lá para o fim da semana!"
Ana: "Com aquela que já andou na nossa turma, estás a ver?"
Eu: "QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM? Não, não estou mesmo a ver!
Ana: "Hesitei em te dizer, mas não te consigo esconder nada...
Eu: "Ó Ana, deixa-te disso. Conta-me. Sabes que comigo é tudo na paz.
Ana: "Notou-se. Nesses quatro dias de ressaca."
Eu: "Pronto, pronto. Foi do impacto. Terminámos mal... ou melhor, ainda nem terminámos direito. Mas conta-me, não me escondas nada!"
Ana: "Tudo bem. Eu conto-te tudo... Vi-o com a Inês, sabes?"
Eu: "Cruzes credo! Estavam a fazer o quê? onde?"
Ana: "Promete-me que não vais fazer nada! Nada de nada, nem vais ter com eles."
Eu: "Não te posso prometer isso. Apenas prometo tentar"
Ana: "Hum. Estão aqui no café onde trabalho. Estavam a falar e ele tocou-lhe na mão. Acariciou-lhe a cara e tirou do bolso uma caixa..."
E é nesse momento que o meu coração pára. Largo o telemóvel sobre a cama e ainda ouço a Ana a dizer: "ESTÁS AÍIIIIIIIIIIIII?"

(continua...)

17 comentários:

  1. obrigada $:
    Ai gostei tanto. nem imaginas. senti o que ela sentiu. ai perfeito
    vou seguir. quero ver como continua
    parabens* (:
    ps: as vezes nunca ninguem nos liga e outras vezes vêem-nos todos chatear

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  2. nem sabes o quanto isso e verdade.
    e quando estamos a espera dum sms super importante e é so uma -merda- ?
    ai >_<

    obrigada Lú :b es um amor *

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  3. amei :o

    quero ver a continuação $:

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  4. fogo :o fiquei rendida *-*
    tens de continuar.

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