Eras um medo que eu tinha fechado no armário. Mas foste aventureiro e agiste com coragem, escapaste pelo buraco da fechadura num dia em que eu me esqueci de deixar a chave na porta e quiçá de propósito. Saltaste do buraco, para o meu hall, berraste comigo, abanaste-me, agarraste-me. Agiste bem do jeito que és e do jeito que eu amo, não foste discreto, foste desenvergonhado, desinibido, espontâneo. Invadiste a minha intimidade, tocaste-me no corpo, na alma, no coração. Tinha-te fechado no meu armário inconscientemente, porque o medo falava mais alto. És o único capaz de me ter, és o único que eu sou capaz de amar e amar-te é o único lugar no mundo onde tenho paz, paz e amor, amor e felicidade, livremente, com as portas do armário bem abertas para trás, com a chave jogada algures, porque eu nunca mais as vou fechar, porque as portas do meu coração estarão sempre abertas, sem medos, para ti.