6.8.11

Oásis - VII

Senti o calor dele, perto da minha cara. Não refilei. Abri os olhos muito lentamente e estava ele colado em mim. Sorri e ele corou.
Samuel: Vamos para casa, antes que descubram que não estamos lá? São cinco e meia e os responsáveis acordam às seis e meia.
Levantou-se, esticou-me a mão, à qual eu me agarrei e puxou-me para me levantar. A minha cabeça colou-se ao coração dele, bocejei de sono e só de pensar que ainda teríamos de andar até à mota.
Chegamos a casa, finalmente. O  Simão esperava-me impacientemente na entrada do meu quarto e não gostou nada quando reparou que o braço do Samuel se encontrava à volta do meu pescoço. Torceu o nariz e mastigou umas palavras quaisquer, não deu para perceber.
Eu: Que estás aqui a fazer?
Simão: ah... hum... Estava preocupado contigo, mas já vi que estás bem acompanhada.
Eu: Não sejas cínico, Simão. Estou bem, podes ir.
Simão: Ok. Vens, Samuel?
Samuel: Sim, vou. Até amanhã Isabel.
Eu: Até amanhã, Samuel. (Beijou-me na testa e desapareceu no escuro, juntamente com o Simão)
Na manhã seguinte os altifalantes entraram em acção de novo.
- MENINOS, VENHAM TOMAR O PEQUENO ALMOÇO! (repetia vezes sem conta, a dona da casa)
Eu estava deitada na cama com as mãos sobre a cara, já estava acordada, nem cinco minutos consegui dormir esta noite. A Filipa e a Sofia acordaram cinco minutos depois dos altifalantes terem feito um barulhão.
Sofia: Como estás? Estiveste muito tempo com o Samuel?
Isabel: Estou bem, não te preocupes. (Ignorei a segunda pergunta, porque já sabia que ela iria meter nojo de qualquer forma)
Filipa: Ainda bem, vamos mas é vestir-mo-nos para ir tomar o pequeno almoço.
Passados cerca de dez minutos as duas desceram e eu disse que já ia. Quando cheguei ao refeitório, já estava toda a gente sentada nas mesas onde tinham os papéis com os seus nomes. Reparei que o Samuel me fazia sinal com o braço, parece que fiquei na mesa dele outra vez. Sorri e fui lá ter.
Eu: Está aqui o meu nome?
Samuel: Sim, anda. Senta-te aqui à minha beira.
Por azar o Simão também tinha ficado e estava sempre a lançar-nos olhar de quem rogava pragas.
Eu: Está tudo bem, Simão?
Simão: Sim, está. Há aqui gente que diz uma coisa e depois faz outra.
Eu: Que estás a querer insinuar?
Simão: Que não querias outro otário como o teu namorado e foi precisamente isso que encontraste.
Samuel: Mas estás a chamar otário a quem? (Levantou a mão e cerrou o punho, como se lhe fosse dar um soco)
Eu: Calma! Eu não estou aqui à procura de namorado e sempre te dei a entender que não te achava piada, Simão. Tu é que sempre fizeste questão de andar em cima de mim. Deixa-me em paz!
O Simão levantou-se com uma rapidez, empurrou a cadeira para traz e saiu porta fora.

continua...

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